Com a divulgação dos últimos resultados das Contas Nacionais, vimos que, como esperado pelo blog, a situação dos serviços segue deteriorando. No terceiro trimestre de 2015, os serviços registraram queda de atividade de 1% frente ao trimestre anterior (ver Gráfico 1). Com a exceção de serviços públicos e de intermediação financeira, todos os segmentos de serviços apresentaram queda frente ao trimestre anterior (ver Gráfico 2).

No ano, o setor já acumula um crescimento negativo de 2,1%, e as projeções do mercado apontam que 2015 deverá apresentar o pior resultado do setor em décadas. Para se ter uma melhor dimensão do que está acontecendo com o setor: o volume de serviços produzidos no terceiro trimestre de 2015 se equivale ao do terceiro trimestre de 2012. Ou seja, o nível de produção de serviços “recuou” três anos. Pela primeira vez na série histórica, iniciada em 1996, o setor apresentou três trimestres consecutivos de contração.

Por sua forte ligação com o mercado interno, é provável que a situação dos serviços só melhore quando a atual crise macroeconômica e política for superada. Com o aumento do desemprego e queda real da renda da população, dificilmente o setor, voltado principalmente para o consumo final, se recuperará.

Ainda que as dificuldades de curto prazo sejam superadas, o setor de serviços deverá seguir uma trajetória de crescimento baixo e inconstante, devido a seus problemas estruturais. O principal deles, a baixa competitividade, tem diversas causas e é de difícil e lenta superação.

Com os avanços da tecnologia e maior integração econômica, os serviços estão cada vez mais comercializáveis entre países. Não à toa, acordos como o TTP (Tratado Trans-Pacífico) já colocam o setor como prioritário para o comércio e para a sustentação do crescimento dos países desenvolvidos.

Como consequência, teremos cada vez mais prestadores de serviços de outros países concorrendo internamente no Brasil. Serviços como consultoria, engenharia, design, marketing, serviços financeiros e os de tecnologia da informação, por exemplo, são aqueles em que a concorrência deverá aumentar fortemente nas próximas décadas.

Neste quadro, tornar os serviços, setor que concentra mais de 70% da economia nacional, mais competitivos torna-se uma questão de sobrevivência no século XXI. É preciso agir rápido e de maneira efetiva, sob o risco de ser tarde demais.

Gráfico 1

Gráfico 2

 

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