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Brasil possui o sistema de saúde mais ineficiente do mundo

O sistema de saúde brasileiro é composto pelo SUS e pelo braço privado representado por planos de saúde e por profissionais autônomos. Para a realidade brasileira, o SUS representa significativo avanço na saúde pública. Entretanto, a existência do sistema privado evidencia a necessidade de complementação. Neste contexto, emerge o debate sobre a necessidade de mais fundos para financiar a saúde pública. Mas, como se sabe em círculos mais técnicos, o sistema de saúde brasileiro é ineficiente, o que significa que os recursos não são bem empregados.

No ranking anual de eficiência de sistemas nacionais de saúde, editado pela agência de notícias de negócios Bloomberg, o Brasil aparece consistentemente entre os últimos colocados (desde 2008). Como qualquer indicador de eficiência econômica, o ranking compara medidas de benefícios gerados com o custo de prover os serviços. Em linhas gerais, o ranking compara a expectativa de vida com o custo local do sistema de saúde.

Na lista de 55 países analisados em 2015, o Brasil ocupa a última posição. Como se trata de ranking de eficiência, a posição do Brasil no ranking significa que o país gasta muito com saúde, mas entrega pouco. O custo da saúde  no Brasil é comparável ao de países da Europa Ocidental. Gastamos em torno de 9% do PIB, número próximo ao de países como Noruega, Suécia e Reino Unido. O outro fator de custo utilizado pelo ranking é a comparação do gasto em dólares per capita com saúde. Mesmo com a depreciação cambial recente, o Brasil gasta bastante no setor. Por esse indicador, o gasto brasileiro se aproxima ao de países da Europa Oriental (Rússia, Hungria e República Tcheca) e da América do Sul (Argentina e Chile), que gastam cerca de 1000 dólares per capita.

Por outro lado, a expectativa de vida do Brasil é a sexta mais baixa entre os países analisados. Com 73,9 anos de vida, a expectativa de vida aqui é similar à de países como Jordânia, Irã, República Dominicana e Colômbia. Portanto, pela comparação entre expectativa de vida e custo do sistema nacional, o Brasil esta entre os países com gastos mais elevados, mas com relativa baixa expectativa de vida.

Certamente, outros fatores, além do sistema de saúde, afetam a expectativa de vida, tais como saneamento, violência urbana e estilo de vida da população. Como todo ranking, o posicionamento do Brasil não estabelece uma verdade absoluta, mas pode ser usado para levantar a questão do financiamento do sistema de saúde brasileiro (público e privado). Simplesmente aumentar o dispêndio em um sistema que onera demais a economia pode não ser a melhor opção.

Com o envelhecimento da população, os desafios serão ainda maiores. Com tratamentos mais caros em média e com a necessidades de grandes investimentos, a conta da saúde tende a pressionar a atividade econômica. Mais gastos por habitantes serão necessários, pressionando tanto o Estado quanto quanto o cidadão.

A pergunta crucial é se o sistema brasileiro, público e privado, possui estrutura organizada para suportar crescimento. De acordo com um ranking simples como o aqui apresentado, a comparação entre países sugere que o Brasil não aloca bem os recursos em saúde, pois gasta muito para um país sem alta expectativa de vida. Portanto, estratégias inteligentes para a organização do sistema de saúde serão fundamentais para o nosso futuro.

Veja o ranking abaixo:

gráfico6

Fonte: Bloomberg

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5 Comments

  1. João Lanari Bo

    25/02/2016 at 7:06 pm

    Libia em 15o, Dinamarca em 41o – qual seria o critério que conseguiu essa proeza ?

    • Claro que Dinamarca tem um serviço de saúde melhor que a Líbia. 10 X melhor, o problema que ela gasta 100 x mais que a Líbia para oferecer 10 x mais. A pesquisa mostra a eficiência de gasto e não o melhor serviço.

  2. Guilherme Magacho

    26/02/2016 at 11:19 am

    Ao que me parece, há alguns problemas muito relevantes nesta análise.

    Primeiramente, está se comparando gasto corrente com um resultado que demora décadas para ser construído. O sistema público no Brasil é relativamente novo (foi implementado no final dos anos 80 e, apenas nos anos 2000 que passou a receber um montante significativo). Seria difícil de se imaginar que a expectativa de vida já tivesse sofrido algum impacto significativo em tão pouco espaço de tempo.

    Outro ponto é uma confusão que se faz com gastos públicos e privados. Tomamos novamente o exemplo do Brasil. Aqui, cerca de metade dos gastos em saúde são privados, mas a parcela da população que usufrui desse investimento é muito inferior. Considerando as variáveis de esforço (gasto) e resultado (expectativa de vida), o gasto privado é naturalmente ineficiente, pois a parcela da população que se beneficia desse gasto é muito pequena para aumentar a média de expectativa de vida. Portanto, o argumento principal do texto – de que aumentar o dispêndio não teria efeito – deve ser relativizado: de que tipo de dispêndio estamos falando, público ou privado? Se for do privado, daí o argumento faz todo sentido.

    Por fim (só para encurtar o texto, pois ainda há muitos outros problemas), há a questão da relação entre as variáveis de esforço e resultado. A variável de resultado é muito influenciada por outros fatores não considerados. Novamente no caso brasileiro, há um problema sério de saneamento básico, que repercute em uma significativa queda da expectativa de vida – principalmente nas regiões norte e nordeste. Investimento em saneamento, porém, não é considerado dispêndio em saúde e, portanto, não entra na conta, apesar de um impacto muito relevante na expectativa de vida.

    Esses rankings são muito interessantes para termos uma noção do que está acontecendo, mas eles devem ser olhados com muito cuidado (principalmente aqueles que são demasiadamente simplistas. Como bem pontuou João Linari, Líbia em 15o e Dinamarca em 41o já permite concluir que este ranking, em especial, tem muito pouco a contribuir para um debate tão sério e tão essencial.

  3. Parabéns pela pesquisa!!!

  4. Bruno Carvalho

    02/08/2017 at 9:38 am

    Victor, parabéns pelo texto. Como sugestão tenta separar a expectativa de vida dos 25% com mais renda (detentores de planos de saúde) dos 75% com menos renda (dependentes do SUS). Acho que pode haver diferenças marcantes na eficiência dos dois mundos. Os gastos em saúde do SUS e as despesas assistenciais da saúde suplementar são equivalentes (50% cada) em torno de R$ 120 bilhões ano cada. Abs, Bruno Sobral

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