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Author: Brenner Lopes

Ensino One to One (Série “10 Tendências que moldarão o ensino superior no Brasil até 2025”)

As tecnologias amadurecidas e metodologias inovadoras possibilitam uma educação individualizada. Na construção do modelo, alguns dos temas em evidência são adaptive learning e t-learning, entre outros. Esse deve ser o cenário da educação superior em 2025.

Em 2025, os estudantes de cursos universitários deverão ter “professores” 100% dedicados e pacientes para acompanhar cada um deles. Disponíveis em cada minuto dos cursos que estarão fazendo. Vinte quatro horas por dia, sete dias por semana. Por “professores”, com aspas, entenda-se suporte tecnológico, em software e hardware presentes em todas as coisas.

Novos universitários serão beneficiados pelas tais tecnologias que deverão possibilitar o acesso a educação altamente individualizada. A educação personalizada deverá ser, já em 2025, integralmente aplicada aos novos conceitos de ensino superior, assim como em outros níveis.

Até 2027, os robôs substituirão os professores, segundo a previsão do britânico Anthony Seldon, especialista em educação, feita em 2017. Ou pelo menos, numa visão nossa — talvez menos radical –, irão reconfigurar completamente seu papel. Ele não foi o primeiro a notar o potencial da tecnologia para substituir os trabalhadores humanos. Se os “robôs” assumem a forma de programas de software artificialmente inteligentes (AI) ou máquinas humanóides, eles podem ser os novos professores.

As mudanças evidenciam, como diferencial, a possibilidade de os cursos começarem a qualquer momento, em qualquer mês, de acordo com o interesse do estudante. Como há grande número de atividades de ensino a distância, apenas supervisionadas por professores humanos, deixa de ser necessário um calendário baseado em semestres ou anos.

Bastarão um currículo mínimo obrigatório, mesmo assim com uma flexibilidade enorme para atender ao surgimento de profissões que ainda nem existem em 2017. Se você deseja começar um curso, faça a inscrição e pronto. Identifique professores para a função de supervisores e é isso. Siga em frente.

 

Atendimento

E como isso deve se dar na prática? Recém-aprovado no curso da área de Tecnologias de Saúde, que requer conhecimentos em ciências exatas e de saúde, na turma de março de 2025, César tem apenas um medo: matemática. Biologia ele “tira de letra”, como se dizia antigamente. Ao contrário dos números, seu grande terror.

Não devia se preocupar. Ao contrário dos seus pais, que se limitavam a seguir a rota definida por campos específicos de interesse, o estudante terá todo o apoio para superar as resistências e limitações de aprendizado e campos abertos em todas as dimensões.

César se beneficia da evolução alcançada pelas tecnologias de inteligência artificial e de aprendizado de máquina. Em 2025, ela possibilitará a maturidade de propostas dos modelos de educação baseados em “adaptive learning” e “t-learning”, entre outros exemplos. Em síntese, são propostas que estimulam a interação do estudante com os objetos de estudo.

Esses são sistemas capazes de aprender o jeito correto de lidar com a dificuldade de cada aluna. E vão ajudar não só ao César, como a qualquer colega dele. Milhões de estudantes como ele vão poder usar os recursos como a interação contínua por vídeos, recorrendo à Internet para oferecer conhecimentos.

Imagine que, em determinado momento, César esbarra em dificuldades para entender o conceito de “equações lineares homogêneas”. O sistema não só identifica onde está a resistência do estudante como cria instantaneamente um roteiro de aprendizado e apresenta filmes de apresentação de todos os conceitos e práticas.

Serão os benefícios da evolução de recursos de “adaptive learning”. Plataformas adaptativas propõem atividades diferentes para cada estudante, a partir da observação e da coleta de dados sobre sua performance, suas respostas e suas reações diante de tarefas.

O software de apoio ao estudante pode oferecer a César, portanto, um reforço sobre algum conteúdo no qual ele demonstrou dificuldade. Ou, ainda, repetir alguma questão que foi respondida corretamente após um intervalo, para garantir que o acerto não foi um golpe de sorte.

O futuro é e sempre será uma incógnita, mas a customização de tudo (incluindo a educação) é um caminho sem volta.

Brenner Lopes é Mestre em Administração com ênfase em Inteligência Competitiva e é sócio na Consultoria Nous SenseMaking.
 Carlos Teixeira é jornalista e futurista, consultor associado da Nous SenseMaking. Especialista em Comunicação Integrada, Gestão da Informação e Inteligência Estratégica.
João Lopes é consultor da Nous SenseMaking e professor, com graduação em Administração de Empresas e pós-graduação em Engenharia da Produção e Gerenciamento de Projetos.

 

Virtualização da Educação (Série “10 Tendências que afetarão o ensino superior até 2025”)

[1]Nota dos autores

O cenário será marcado pela utilização massiva de tecnologias e metodologias de ensino a distância (EAD), e-learning, ensino híbrido — on e off line — blended learning, mobile learning entre outras.

Um estudante universitário de 2017 que acorde em uma universidade do ano de 2025 terá um susto ao perceber a diferença do ensino a distância atual em relação ao do futuro. Mesmo em prazo tão curto, os saltos exponenciais da evolução tecnológica asseguram que cursos virtuais terão poucas semelhanças com o que se pratica na atualidade.

Na verdade, os conteúdos e a forma oferecidos atualmente pelas escolas, mesmo no exterior, podem ser avaliados como partes da pré-história do ensino intermediado pela tecnologia. Não haverá o smartphone, o desktop, a internet lenta e o excesso de textos. O vídeo será o padrão. Não em telas, mas em qualquer suporte, seja em uma mesa, uma parede, espelho ou no chão.

A força da digitalização de tudo

Para compreender a diferença profunda entre duas realidades é necessário identificar as principais forças das transformações tecnológicas vigentes por volta de 2025. O funcionamento do mundo estará moldado pela capacidade de processamento, velocidade de tráfego de informações e poder de armazenamento da computação.

Será a internet ultra veloz, no planeta que estará mais próximo da computação quântica, propiciando força adicional à inteligência artificial. Entenda que os computadores serão praticamente invisíveis, como a eletricidade. Basta um botão — virtual — para acessar a rede em qualquer lugar, por qualquer plataforma.

Sistemas inteligentes adotados em processos de e-learning serão capazes de entender que a frase “vou chutar o balde” tem um significado diferente de “vou dar um chute em um recipiente de transportar água”. Ou seja, vai entender a linguagem natural através da qual os seres humanos se comunicam.

Máquinas que aprendem, que processam a fala, a ponto de “enganar” os interlocutores, e que reconhecem imagens já são tecnologias quase prontas. Agora, pense no seguinte: em pouco mais de sete anos, será possível acompanhar a aula de um professor em japonês ou mandarim. E trocar ideias com os seus colegas japoneses, chineses, sul-africanos em conversas animadas. Com tradução simultânea. E por voz.

Agora, a pergunta que não pode ser calada: será possível convencer o nosso estudante a sair de casa, enfrentar distâncias mesmo que em um carro confortável e totalmente automático para ter uma aula diante de um professor, no modelo atual? A resposta mais provável é que não. Parece mera questão de lógica. Estudantes vão querer experiências imersivas, mesmo em uma aula sobre filosofia de Platão, sobre literatura gótica ou matemática integral e derivadas.

É natural que se espere, para 2025, que os recursos de tecnologia educacional oferecidos aos alunos, mesmo em sala de aula, estejam todos adaptados para atender aos diferentes interesses e necessidades da comunidade de aprendizado. Adicione, então, à capacidade de processamento e à internet em todos os lugares a oferta dos sistemas de virtualização de imagens — realidades virtual (RV), aumentada (RA) e mista (RM) — e a receita para o fortalecimento do ensino a distância estará completamente definida.

Corrida pela adoção

A carência das melhores tecnologias não impede que já se tenha iniciado o movimento pela adoção das estratégias associadas ao ensino superior a distância. Nos Estados Unidos, por exemplo, universidades renomadas já aderem à modalidade de educação virtual. Em maio, a Universidade de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) firmaram parceria para oferecer versões online de seus cursos presenciais.

As estatísticas revelam que, atualmente, 12% dos alunos de ensino superior estão na modalidade de ensino a distância. Já em 2022, estima-se que o segmento será responsável por 16% do total de matriculados. Deverão ser 1,2 milhão de pessoas, com crescimento médio anual de 3,8% até lá.

O potencial de crescimento se dá por causa da conveniência e custo mais baixo comparados aos cursos tradicionais. O avanço de tecnologias como realidade virtual, que possibilitam chats ao vivo, produção audiovisual intensa e softwares para provas e exames, por exemplo, também colabora para a disseminação desses cursos e para maior aceitação deles.

………………….

[1] Este post é o primeiro da série que detalhará as dez tendências que afetarão o Ensino Superior até 2025. Os posts são baseados no estudo “10 tendências que moldarão o ensino superior no Brasil até 2025”, produzido pela empresa de consultoria Nous SenseMaking, de qual os autores fazem parte.

Brenner Lopes é Mestre em Administração com ênfase em Inteligência Competitiva e é sócio na Consultoria Nous SenseMaking.
 Carlos Teixeira é jornalista e futurista, consultor associado da Nous SenseMaking. Especialista em Comunicação Integrada, Gestão da Informação e Inteligência Estratégica.

 

10 tendências que moldarão o ensino superior no Brasil em 2025

O tempo pode parecer curto. São apenas mais oito anos até 2025. Uma criança com dez anos hoje será um candidato a uma vaga nas universidades de meados da próxima década. As mudanças serão grandes, para o jovem e para os seus pais. No cenário do curtíssimo prazo traçado pela influência exponencial das tecnologias e pela introdução de novos modelos de negócios, o sistema de ensino superior terá uma aparência surpreendentemente diversa da atual. Dentro e fora de sala de aula.

Grupos gigantes e globais de ensino superior, com bancos próprios para financiar o estudo dos alunos, utilização massiva de educação a distância (EaD), ensino híbrido — presencial e virtual — e novos perfis de estudantes. No cenário de influência exponencial das tecnologias e de introdução de novos modelos de negócios, estas são algumas das forças de mudanças descritas pelo estudo “Dez tendências estratégicas que moldarão o ensino superior em 2025”, produzido pela consultoria de inteligência empresarial Nous Sense-Making[1]  e coordenado pelo autor deste post.

A lista de 10 projeções é o resultado da aplicação de metodologia de identificação de visões de futuro, desenvolvida pela empresa, com base em processos de elaboração de cenários. As três etapas de produção das informações incluíram entrevistas com mais de 50 especialistas, além de envolvimento da equipe de consultores especializados, que mapearam as principais forças das mudanças para identificar as questões estratégicas que deverão estar presentes no radar de prioridades das principais instituições do mercado global de ensino.

A atualização tecnológica, reivindicada, hoje, por professores e especialistas em educação como uma necessidade prioritária, terá se consolidado nesses próximos anos nas salas de aula do ensino superior. Os universitários, integrantes da geração dos “centennials”, as primeiras turmas dos nascidos após 2010, terão crescido com um smartphone e um tablet nas mãos.

Não há como evitar as transformações e seus impactos disruptivos. Segundo o estudo, já em 2023 a graduação on-line deverá ser responsável pela formação da maioria dos estudantes. Será o resultado do fato de que a internet estará presente em todos os cantos — ubíqua, por definição.

Caso não queiram ficar para trás, organizações de ensino, pesquisadores e gestores das organizações de políticas públicas no campo da educação precisam reconhecer as hipóteses para o futuro a partir da identificação dos principais drivers que possibilitam a compreensão do ambiente de negócios do segmento. As forças das mudanças já estão ativas. As peças se movem para construir o futuro do sistema educacional.

Entre os drivers de mudanças imediatas, há a formação das “escolas-banco” pelas grandes instituições privadas de ensino. Recentemente, o grupo Kroton fez parceria com um banco para financiar estudantes. A rede de universidades é, hoje, um dos principais players do ensino no Brasil, com vínculos globais. E o Banco Votorantin entrou no mercado de crédito estudantil com uma nova unidade especializada. São estratégias que deverão se intensificar nos próximos anos, como um efeito da redução drástica do financiamento público e um possível esvaziamento da rede pública de universidades federais.

Outra tendência clara é a concentração de mercado. A tentativa do grupo Kroton de comprar o controle da Estácio, abortada pelo Conselho Administrativo de Ordem Econômica (Cade), é um indicador claro da estrutura em formação no mercado. A união das duas redes privadas de ensino reuniria 1,5 milhão de alunos e a criação de uma rede detentora de 23% do mercado. Pequenas redes de ensino identificam, diante de tal abordagem, riscos enormes, contra os quais dificilmente conseguirão resistir nos próximos anos.

Abaixo listamos as 10 principais tendências que, de acordo com o estudo, moldarão o ensino superior em 2025:

  1. Educação virtualizada
  2. Educação one-to-one
  3.  Wazeirização
  4. Ensino baseado em projetos
  5. Novos mestres
  6. Novas habilidades, novos desafios
  7. Mercado de gigantes
  8. Desafio do foco-atenção
  9. Ensino em rede
  10. Escolas-banco

Para um aprofundamento das temáticas resultantes do estudo, publicaremos posts onde discutiremos cada uma das dez tendências identificadas pelo nosso estudo.

[1]Nota do blog: o autor do texto é sócio da empresa citada.

Fintechs: como novos modelos de negócios e tecnologias estão promovendo a destruição criativa

Na visão do Banco Mundial, que mede anualmente a inclusão financeira no mundo, por meio do seu Global Findex, ter uma conta que permita aos adultos guardar dinheiro e realizar pagamentos é fundamental para a erradicação da pobreza. Além disso, segundo a instituição, o maior acesso ao sistema financeiro pode impulsionar a criação de empregos e aumentar os investimentos em educação.

Segundo dados do IBGE, aproximadamente 42% dos adultos brasileiros não possuem conta em banco. No mundo dos negócios, é possível perceber de forma nítida o insatisfatório acesso dos microempreendedores individuais e micro e pequenas empresas a crédito e outros serviços financeiros. De acordo com pesquisa do Sebrae, 30% dos pequenos negócios não possuem qualquer relacionamento com bancos. Se pensarmos nos negócios informais, que possuem estatísticas expressivas no nosso país, esse acesso inexiste, pelo menos dentro de seu contexto mais tradicional.

Ao que parece, novas tecnologias, aliadas a novos modelos de negócios, encontraram uma alternativa com potencial de subverter toda a lógica do acesso a serviços financeiros e riscar de vez do mapa o termo “desbancarizados”. Estamos falando das fintechs (financial technology).

As fintechs surgiram no rastro de inovações e avanços na tecnologia da informação, como Cloud Computing, Big Data, Mobile, entre outras, principalmente explorando nichos que não eram satisfatoriamente atendidos pelos bancos. Muitas dessas pessoas e empresas que são público-alvo das fintechs não consumiam serviços financeiros. Por não terem histórico, também não tinham acesso a crédito, ou simplesmente tinham restrição no acesso a estes e outros serviços.

Além disso, as fintechs também têm captado questões cada vez mais relevantes para os consumidores e que tendem a se manter e se aprofundar. Um desses pontos é a comodidade. Para que nos preocuparmos com o horário de abertura e fechamento dos bancos tradicionais, quando podemos ter acesso e atendimento a qualquer hora pelo smartphone? Outro ponto é a economicidade: faz sentido pagar o nível de taxas cobradas atualmente pelas instituições financeiras tradicionais?

Outro ponto relevante é a possibilidade de ter, por parte da instituição financeira, uma análise de perfil mais precisa. Por que estar sujeito a uma análise parcial baseada em dados dos serviços de informação para crédito e de seu histórico de relacionamento com instituições financeiras, quando se tem à disposição a análise de diversas bases de dados, incluindo informações de redes sociais, sites de comércio eletrônico, com ferramentas capazes de cruzar e interpretar milhares de dados e informações sobre uma determinada pessoa ou empresa, aprovando ou não sua solicitação de crédito em apenas alguns minutos?

Com a rápida expansão do mercado de smartphones e a do acesso à internet, dois pontos fundamentais nos quais o modelo de negócios das fintechs está apoiado, pode-se deduzir que o potencial de crescimento desse mercado é exponencial, com capacidade de abarcar pessoas e pequenos empreendimentos que possivelmente nunca teriam acesso a serviços financeiros pelos canais tradicionais. Esse cenário é ainda mais claro levando-se em conta o lançamento de smartphones de baixíssimo custo, como o aparelho indiano de quatro dólares, ou o smartphone da Amazon de 50 dólares.

Nesse contexto, a empresa de consultoria Nous SenseMaking[1] realizou um levantamento com o objetivo de identificar as fintechs existentes no Brasil. A partir de informações das instituições representativas dessas organizações e notícias relacionadas ao tema, a empresa criou um banco de dados das fintechs do Brasil, concatenando informações como nome, segmento de atuação, tempo de abertura e etc. Vale destacar que, como este é um mercado caracterizado por startups, esse número pode sofrer alterações em um curto espaço de tempo. Como referência, o levantamento de informações foi realizado no período de 18 a 29 de julho de 2016.

Segundo esse levantamento, existem 168 fintechs no Brasil. Excluindo-se 12 empresas que não tiveram seu estado de origem encontrado, 88% das fintechs brasileiras têm como sede os estados do Sudeste do Brasil, estando 66% registradas em São Paulo, 12% no Rio de Janeiro, 9% em Minas Gerais e 1% no Espírito Santo. Os estados da região Sul aparecem em seguida: Santa Catarina concentra 3% das empresas registradas e Rio Grande do Sul e Paraná respondem por 2% cada. Ainda que essas empresas estejam sediadas principalmente nas regiões Sudeste e Sul, no seu conjunto elas possuem sede em 12 estados brasileiros. Fora dessas duas regiões, Sergipe, Ceará, Alagoas, Goiás e o Distrito Federal possuem fintechs. Cerca de 5% das fintechs em atuação no Brasil têm origem em outros países, como África do Sul, Alemanha, EUA, França, Luxemburgo e Polônia.

Um terço dessas 168 empresas atua no segmento de pagamentos[2]. O segmento de gerenciamento financeiro é o segundo maior entre as fintechs brasileiras, com 18%, seguido dos segmentos de empréstimos e negociação de dívidas (14%). O segmento menos expressivo no Brasil, por enquanto, é o de Bitcoin e Blockchain, com 3% das empresas. Apesar dessa tímida presença, é justamente nas empresas de Blockchain que se esperam os maiores impactos no futuro dos bancos e até mesmo em outras frentes e negócios, como, por exemplo, os serviços cartoriais.

O levantamento mostra, também, que a grande maioria dessas empresas tem menos de 5 anos de existência. Aproximadamente 60% delas iniciaram suas atividades a partir de 2012, sendo o ano de 2013 o ano de maior abertura das fintechs, com 20% de todas as empresas do segmento no país. Um dos fatos que mais chama atenção é que, apesar de jovens, são empresas que têm captado um considerável volume de recursos, não apenas de bancos e de fundos de investimento, mas também de setores não concorrentes de bancos ou seguradoras, como empresas fornecedoras de tecnologia, comércio eletrônico, de telecomunicações, fornecedores de infraestrutura, entre outros.

Uma questão relevante é que a maioria das fintechs no Brasil não se caracteriza como uma atividade financeira, de seguros e serviços relacionados, de acordo com sua CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) registrada. As 168 empresas identificadas estão divididas em 38 atividades econômicas distintas, estando apenas 12 delas classificadas como atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados. Isso pode explicar por que em sua maioria elas não se encontram sob a regulamentação do Banco Central. De acordo com o levantamento, 9,5% estão classificadas como “desenvolvimento e licenciamento de programas de computador customizáveis”, 7,1% como “desenvolvimento e programas de computador sob encomenda” e 6,5% como “portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet”.

Com isso elas conseguem avançar no mercado de uma forma sutil, rápida, e sem muita condição de agrupamento, pelo menos no contexto das classificações oficiais de atividades econômicas, se constituindo um poderoso player ainda sem forma e de difícil identificação. Se por um lado esse status dá mais flexibilidade a essas empresas, é certo que a pressão por mais regulação seguirá forte. Por mais que seja compreensível uma busca por normas e leis que tragam mais segurança e confiança ao setor, é preciso ter cuidado para que essas mudanças não se tornem barreiras à entrada e à inovação, tão importante nos tempos atuais.

Brenner Lopes é Mestre em Administração com ênfase em Inteligência Competitiva e é sócio na Consultoria Nous SenseMaking.

Brenner Lopes

Mestre em Administração com ênfase em Inteligência Competitiva

Sócio na Consultoria Nous SenseMaking
[1]Nota do editor: Brenner Lopes é sócio da empresa citada.
[2]Aqui utilizou-se a segmentação proposta pela FintechLab.

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