Economia de Serviços

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Month: janeiro 2016

O Setor de Serviços Está se Concentrando – E agora?

Você sabe qual é o principal destino dos investimentos diretos estrangeiros no Brasil? E sabe a qual setor pertencem os cinco segmentos de negócios de maior preferência de fusões e aquisições (M&A) no país? Se você arriscou serviços, acertou.

De fato, os serviços são o alvo predileto de mais de 60% dos investimentos diretos estrangeiros. E os cinco segmentos que mais passaram por M&A recentemente são, por ordem, tecnologia da informação, serviços auxiliares, serviços financeiros, varejo e serviços públicos (eletricidade,  gás, rodovias, etc) – juntos, eles respondem por mais de 50% das operações no Brasil. Os estrangeiros são responsáveis por ao menos metade daquelas operações de M&A.

Se, por um lado, os investimentos e M&A em serviços são mais que bem-vindos, por outro lado, é necessário evitar movimentos de concentração.

Na verdade, vários segmentos de serviços já são altamente concentrados e outros estão se concentrando. O gráfico abaixo mostra a participação de mercado das oito maiores empresas por segmento. Nos serviços de telecomunicação, segmento crítico para a competitividade de praticamente toda a economia, 64% do mercado pertence àquelas oito empresas; em transporte aéreo, 89%; e em serviços de audiovisual, 52%.

Evidências empíricas mostram que a produtividade não aumenta com a concentração; em alguns casos, até diminui. Desta forma, a concentração pode ser danosa para a alocação eficiente de recursos. A experiência internacional mostra que competição tende a ser acompanhada por menores preços, mais inovação, qualidade e outros indicadores importantes de desempenho.

Como o setor de serviços é cada vez mais determinante tanto para o consumo e o bem-estar das famílias, como para o consumo intermediário e a competitividade das empresas, seria importante aprimorar as políticas  de modernização dos marcos regulatórios setoriais de tal forma a estimular o investimento e a competição, inclusive com a entrada de novos competidores. Seria também importante o aprimoramento de políticas que  visem ampliar o acompanhamento e  o monitoramento do setor por parte dos órgãos reguladores e antitruste de tal forma a impedir ou mitigar os riscos da concentração.

Gráfico: Segmentos de serviços mais concentrados – participação das oito maiores empresas no mercado (%)

concentracao no mercado de serviços

Fonte: Pesquisa Anual de Serviços (PAS-IBGE)

Nota: Não estão incluídos nos dados o setor financeiro, de saúde e educação

 

(Des)Conectados

Os anos 2000 marcaram o avanço do uso da Internet. O lançamento dos smartphones prenunciou uma nova fase em que se manter conectado se tornaria um fator estratégico para empresas e uma exigência cada vez maior da sociedade. Desde BlackBerrys a iPhones, o novo sistema de comunicação passou a incorporar uma infinidade de serviços em que o diferencial seria a capacidade de acessar a Internet a partir de qualquer lugar no planeta.

Ao mesmo tempo, os negócios passaram a incorporar tais funcionalidades e o acesso quase imediato à informação passou a ser fator crucial de competividade. É nesse contexto que surgem oportunidades para o desenvolvimento de soluções inteligentes que demandam o acesso à Internet.

Porém, a oferta e a qualidade dos serviços de Internet são pré-requisitos para que seja possível usufruir das potencialidades da rede.

O mapa abaixo ilustra a discrepância entre regiões e países quanto ao uso da rede. Destacam-se os países desenvolvidos como os grandes usuários da Internet. O gráfico seguinte aponta que, além do baixo acesso, países de menor grau de desenvolvimento apresentam serviços de Internet mais caros. Esses dados revelam a ineficiência do serviço naqueles países e, principalmente, o atraso em relação aos países desenvolvidos.

Mapa – Dispositivos conectados à Internet

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Fonte: Internet Census 2012.

Gráfico: subscrições e preço da Internet, por nível de desenvolvimento dos países

Sem títuloNota: LDCs = least developed countries.

Fonte: International Telecommunication Union.

Olhando para o Brasil no mapa, chama atenção a diferença regional quanto ao acesso à Internet. Segundo dados da PNAD/IBGE referentes ao ano de 2013, mais de 50% da população ainda não têm acesso à rede. Os dados são ainda mais preocupantes ao se considerar a velocidade da conexão. Conforme ranking mundial de velocidade da Internet da Akamai, o Brasil ocupa a 94ª posição, com uma velocidade média de conexão de 3,6 Mb/s, enquanto a média global é de 5,1 Mb/s.  Em países desenvolvidos, a velocidade ultrapassa 10 Mb/s – chegando a 20,5 Mb/s na Coréia do Sul, que ocupa o primeiro lugar no ranking.

A baixa qualidade do serviço de Internet representa um entrave para que países em desenvolvimento possam incorporar soluções para impulsionar o crescimento e a competitividade. A migração para sistemas de produção inteligentes que envolvem, por exemplo, o uso de serviços em nuvem e produtos associados à Internet das Coisas demandam o desenvolvimento de uma estrutura de rede ampla e moderna.

Superar o gargalo da infraestrutura de acesso à Internet talvez seja o grande desafio para países que, como o Brasil, precisam encontrar atalhos para a inserção competitiva nas cadeias globais de valor.

Envelhecimento demandará grandes investimentos em hospitais

Além dos já conhecidos problemas de qualidade e eficiência dos serviços de saúde, o Brasil começa a enfrentar um desafio adicional nesta área em razão do envelhecimento populacional. Hoje, 7,6% da população têm 65 anos ou mais. Mas esta parcela será de 9,4% em 2020 e de 11,3% em 2025, padrão similar ao de alguns países ricos. Esta mudança vai requerer significativo aumento da oferta de infraestrutura de saúde, já que a população idosa usa muito mais intensamente aqueles serviços. Esta condição, juntamente com o reduzido espaço fiscal para investimentos públicos, requer que discutamos com urgência soluções que elevem os investimentos no setor.

O Brasil despende cerca de 9% do PIB com saúde, média parecida com a da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Porém, esta comparação direta tem limitações. Primeiro, porque enquanto o Brasil gasta cerca de US$ 1100 per capita por ano com saúde, a OCDE gasta US$ 2800. Segundo, porque enquanto o número de leitos no Brasil era de 2,3 por grupo de mil habitantes em 2012, na OCDE era de 4,9. E, terceiro, porque as despesas com remédios, consultas privadas e outros itens não diretamente associados à remuneração da infraestrutura absorvem pelo menos 30% das despesas totais com saúde no Brasil, enquanto que na OCDE esse número é de aproximadamente 17%.

Para piorar, o número de leitos diminuiu nos últimos anos e a tendência é de mais redução. Se não forem tomadas providências que freiem esse movimento e, ainda mais importante, que encorajem novos investimentos, será praticamente inevitável que haja piora na oferta de serviços de saúde.

Nossas simulações sugerem que, se quisermos um padrão de oferta de leitos compatível com a nossa estrutura demográfica e que seja minimamente comparável ao padrão de países de renda média e alta, então teremos que criar cerca de 177 mil novos leitos até 2020 ao custo de pelo menos 20 bilhões de dólares (veja Figura abaixo).

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O maior desafio que temos à frente é o de aceitarmos rever conceitos e rediscutir, de forma desapaixonada, o desenvolvimento de um setor de saúde que seja realista e sustentável, sem abrir mão do SUS. Com a estrutura vigente o cenário é de piora acentuada da cobertura e atendimento à população. Portanto, reformas que melhorem a alocação e uso dos recursos, bem como gerem investimentos na infraestrutura hospitalar são urgentes e não podem esperar.

euVictor Gomes é Doutor em Economia. Professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília. Foi Economista-Chefe do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

 

Os serviços e a baixa participação brasileira nas cadeias globais de valor

Normalmente, quando se fala de comércio exterior, pensa-se apenas nas exportações e importações diretas. Porém, com a maior integração do comércio mundial, fragmentação da produção e o desenvolvimento de complexas cadeias globais de valor, percebe-se a necessidade de olhar para outros indicadores para melhor compreender o comércio entre países.

A notícia boa é que, apesar de ainda ser um movimento incipiente, a disponibilidade de dados sobre comércio exterior dentro de cadeias produtivas tem aumentado. A base TiVA (Trade in Value Added), construída e mantida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização Mundial do Comércio (OMC), é uma importante iniciativa nesse sentido.

Por meio da TiVA, é possível ver o quanto cada país adiciona valor nos produtos e serviços finais exportados por outro país. Por exemplo: iPhones são desenhados nos EUA, montados na China e depois distribuídos para o restante do mundo (incluindo os EUA). Digamos que uma montadora chinesa venda o iPhone para o restante do mundo por US$ 200. Suponha que essa montadora tenha comprado US$ 150 em peças e serviços do resto do mundo no processo. Na contabilização convencional, não seria possível saber que esses US$ 150 importados foram utilizados para exportar US$ 200. Pelo método utilizado no TiVA, seria possível saber que, apesar de ter exportado US$ 200, a China contribuiu com apenas US$ 50 do valor. Além disso, seria possível saber quanto cada país contribuiu para que a China exportasse os US$ 200 em um produto final e quanto disso são serviços.

Há uma literatura que aponta que existe uma correlação positiva entre o consumo de serviços como insumos na produção de bens exportados e intensidade exportadora (ver, por exemplo, Berlingieri 2015 e Francois e Woerz 2007). Isso se daria tanto como estratégia de redução de custos, principalmente por meio de serviços voltados para facilitar o processo exportador, quanto como estratégia para agregação de valor aos produtos – com serviços como pesquisa e desenvolvimento, marketing, software etc.

Ao olharmos os dados do Brasil na TiVA, dois fatos ficam claros:

  • as exportações brasileiras apresentam baixa adição de valor de outros países (ver Gráfico 1) e
  • o país exporta – direta e indiretamente – serviços em uma proporção próxima da média da OCDE, mas se utiliza pouco de serviços importados (ver Gráfico 2).

Esses dois fatos indicam que o Brasil é pouco integrado às cadeias globais de valor. Para retomar o crescimento, será necessário ao país se tornar mais competitivo internacionalmente e se integrar mais à economia global. O caminho não será fácil, mas reconhecer a necessidade disso será um passo importante naquela direção.

Gráfico 1 – Percentual de valor adicionado por outros países no total das exportações, por país – 2008, 2009 e 2011 (quadro à direita mostra a evolução do Brasil)

Gráfico 2 – Participação de serviços direta e indireta no total de exportações, por país, 2011.

SNA service export share” representa a exportação direta de serviços. O azul escuro representa a participação do valor adicionado de serviços nacionais no total das exportações de um país. O azul claro, a participação do valor adicionado de serviços importados no total de exportações de um país. A linha mostra a média dos países da OCDE.

O Problema da Inflação de Serviços

Um dos maiores desafios atuais do Brasil é a inflação. Após anos em que ficou relativamente contida para os nossos próprios padrões, a inflação ganhou força no último ano e o IPCA fechou com nada menos que 10,67%, o maior patamar em 13 anos. A aceleração recente da inflação está associada a fatores diversos, incluindo a alta da taxa de câmbio e a recomposição de preços administrados.

Mas um olhar mais cuidadoso para os índices de preços dá motivos para mais preocupação. Isto porque a inflação de serviços tem aumentado sistematicamente mais que a inflação geral nos últimos 13 anos, como mostra a figura abaixo. Em 2015, a inflação dos componentes de serviços no IPCA subiu 30% a mais que o IPCA geral.

O problema é que os serviços respondem por 64% da cesta de consumo das famílias e são insumos fundamentais de produção, com 17% do valor bruto da produção da indústria e por nada menos que 62% do valor adicionado do setor. Logo, a inflação de serviços tem efeitos sistêmicos e contamina toda a economia.

Por que a inflação de serviços é tão elevada? Indexação e situações pontuais, como o expressivo aumento das tarifas de energia em 2015, ajudam a explicar. Mas o que explica mesmo a tendência recorrente de taxa de inflação de serviços mais elevada são a baixíssima produtividade e a baixa competição em muitos dos seus segmentos.

Como temos discutido neste blog, a produtividade do trabalho do setor de serviços é muito baixa e está estagnada. De fato, a produtividade corresponde a 66% da produtividade da manufatura e a apenas 11% da produtividade da mineração. Comparação internacional mostra que um trabalhador brasileiro de serviços produz apenas 19% do que o seu correspondente norte-americano produz. A Baumol cost disease ajuda a explicar o fenômeno.

Já a elevada concentração inibe a competição, a inovação e a eficiência. Parte importante da concentração no país é explicada por marcos regulatórios que dificultam a entrada de novos competidores e até mesmo a competição interna. Serviços financeiros, serviços de telecomunicações, transporte aéreo de passageiros, transporte de cargas e encomendas expressas, que são insumos para a produção e para os negócios, estão dentre os segmentos mais concentrados e regulados.

Sem que a produtividade e a competição aumentem, dificilmente teremos taxas mais modestas de inflação de serviços no longo prazo, o que seguirá tendo impactos diretos e indiretos negativos no bem-estar das famílias, no ambiente de negócios e na competitividade da economia brasileira.

O desenvolvimento de uma política para os serviços que remova os estraves à produtividade e à competição e que incentive o investimento e a modernização do setor seria uma importante luz no fim do túnel.

Figura: Taxa de inflação – número índice 2000=100

Inflacao de serviços

Fonte: IBGE.

Boletim de Serviços – Janeiro de 2016

Em novembro de 2015, o setor de serviços intensifica os resultados negativos registrados ao longo do ano. Por padrão tecnológico, nota-se que os serviços tradicionais possuem desempenho ainda mais preocupante: a retração do volume de atividade alcançou 7,5% (na comparação anual), acompanhada de uma redução acumulada de cerca de 550 mil postos de trabalho no período de janeiro a novembro de 2015.

Evolução dos indicadores de serviços, por padrão tecnológico

Serviços por padrão tecnológico

Fonte: PMS/IBGE, CAGED/MTE e Bacen. Elaboração própria.

Para maiores detalhes, acesse o último número do Boletim de Serviços e consulte as séries históricas no endereço https://economiadeservicos.com/boletim/.

Os serviços e a recuperação da indústria brasileira

A indústria brasileira passa por grave crise. Queda da competitividade, da participação no PIB, no emprego e por aí vai. Mas análises detalhadas mostram que tem algo de positivo fora do radar acontecendo no setor.

A figura abaixo mostra a decomposição dos serviços demandados pela indústria em 1996 e em 2012. Embora partindo de base pequena, cresceu significativamente a participação dos royalties e assistência técnica no total, o que sugere que a indústria estaria buscando agregar mais valor.

Serviços não industriais providos por terceiros, serviços industriais providos por terceiros e transporte e logística também tiveram crescimento expressivo. Tal crescimento sugere reestruturação do setor em favor da terceirização da produção.

Outro ponto que chama atenção é a queda da participação das despesas financeiras, o que, além do relativo avanço de outros serviços, pode estar associado aos juros reais mais elevados em 1996 com relação ao ano de 2012.

Políticas que facilitem o acesso à aquisição de royalties e assistência técnica, que modernizem os transportes e que facilitem a adoção de novas formas de produção terão, muito provavelmente, impactos positivos na competitividade das empresas e, portanto, na geração de valor e de empregos.

Este debate está associado às legislações na área da terceirização e outras que podem contribuir para colocar a nossa indústria em linha com o que já acontece na economia mundial.

Decomposição dos serviços demandados pela indústria – 1996 e 2012 –

participacao de servicos no CI

Fonte: cálculos do autor com dados da PIA-IBGE

Fonte: cálculos do autor com dados da PIA-IBGE

 

Novos serviços e o aumento (?) da competição

Na economia, considera-se que, em geral, mais competição traz benefícios para consumidores e para a sociedade como um todo. O aumento de competição costuma estar relacionado a aumentos de produtividade e disponibilidade de oferta e diminuição de preços para o consumidor final. Não por acaso, praticamente todas as grandes economias têm leis e instituições que visam coibir práticas anticompetitivas como carteis, dumping, etc.

No século XXI, parece estar em curso um grande movimento de aumento da competição em diversos mercados, puxado pelo surgimento de novos serviços e tecnologias. Isso se dá principalmente na chamada “economia compartilhada” ou “colaborativa”.

Atualmente, taxistas enfrentam a competição de empresas como Uber; hotéis e pousadas competem com pessoas que alugam as suas casas no Airbnb ou gratuitamente no Couchsurfing; serviços de ônibus disputam espaço com pessoas que oferecem um espaço em seu carro no BlaBlaCar; grandes e pequenos varejistas concorrem com usuários do MercadoLivre, OLX e até mesmo de serviços como o Facebook e o Instagram, inicialmente voltados para outros fins.

Neste novo mundo, consumidores parecem estar de fato se beneficiando de menores preços e serviços e produtos mais customizados. Além disso, pode estar havendo alguma diminuição das ineficiências na economia. Afinal, um carro que passa a fazer viagens com mais de uma pessoa por conta do BlaBlaCar ou um espaço ocioso em uma residência alugado por temporada  são, sem dúvidas, exemplos disso.

Porém, se há uma maior concorrência no nível micro, no nível macro, parece estar em curso um movimento diverso, com uma grande concentração em poucas empresas globais.

Entre viajantes de negócios nos EUA, segundo estudo da Certify, o Uber já responde por 59% do mercado de transporte individual versus 22% em maio de 2014. Segundo outro estudo, a empresa já é – ou está em vias de se tornar – dominante no mercado de aplicativos de transporte individual em países tão distintos quanto Canadá e Arábia Saudita (ver mapa abaixo).

Atualmente, o Airbnb tem valor de mercado superior e oferece mais leitos que redes de hotelaria como Marriott e Accor. O Whatsapp, que pertence ao Facebook, já conta com 900 milhões de usuários ativos ao redor do mundo e tem concorrido diretamente com as empresas de telefonia no Brasil e em outras partes do globo.

Apesar dos consumidores estarem, atualmente, se beneficiando desses novos serviços, a concentração de mercados em nível global poderá trazer desafios não desprezíveis para reguladores e empresas de menor porte estabelecidas localmente.

Soluções pensadas no século XX dificilmente servirão para o século XXI.

 

Mapa – Quanto mais azul, mais dominante o Uber no país

Fonte: Forbes.

Fonte: Forbes.

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