O gráfico 1 mostra indicadores de valor adicionado por trabalhador, emprego e produto em segmentos do setor de serviços no período 1950-2011. Observam-se, grosso modo, dois grupos. Um primeiro composto pelos segmentos de comércio, hotéis e restaurantes e serviços pessoais, sociais e comunitários. Um segundo grupo é composto por serviços financeiros, de seguros, imobiliários e profissionais e por serviços de transportes, armazenagem e comunicação. O primeiro grupo refere-se, basicamente, a serviços de consumo. O segundo, a serviços voltados para a produção na forma de insumos.

O primeiro grupo responde por 67% do emprego, mas por apenas 46% do produto do setor de serviços. Já o segundo grupo responde por 33% do emprego, mas por 54% produto setorial. Consequentemente, a produtividade do trabalho no primeiro grupo é substancialmente menor que a do segundo – no segmento de serviços pessoais, sociais e comunitários, por exemplo, a produtividade é cerca de 4 e 6 vezes menor que nos segmentos de transportes, armazenagem e comunicação e serviços financeiros, de seguros, imobiliários e profissionais, respectivamente.

Na medida que os segmentos do grupo 1 são predominantes no emprego total do setor de serviços e que este é o setor que, de longe, mais tem criado empregos no país, então, tudo o mais constante, a economia estaria condenada a conviver com empregos de baixa qualidade.

Fonte: cálculos do autor a partir de dados do Groningen Growth and Development Center

O gráfico 2 mostra a elasticidade-emprego do produto nos segmentos do setor de serviços. Observa-se que as elasticidades são mais elevadas nos segmentos do grupo 1. Para cada 1% de aumento no produto no segmento de comércio, hotéis e restaurantes o emprego cresce 1,126%. Já no segmento de transportes, armazenagem e comunicação, o aumento de 1% no produto implica em aumento de 0,535% no emprego.

O crescimento desproporcionalmente elevado do emprego se explica pela natureza dos empreendimentos do segmento de comércio, hotéis e restaurantes, que é composto, predominantemente, por pequenos negócios pouco capitalizados, de baixa produtividade e que fazem pouco uso de tecnologias. Já no caso do crescimento desproporcionalmente baixo do emprego no segmento de transportes, armazenagem e comunicação, a causa também se assenta nas características das empresas.

Nos segmentos de serviços pessoais, sociais e comunitários e serviços financeiros, de seguros, imobiliários e profissionais, a elasticidade é praticamente unitária. Porém, estimações para o período de 1990 a 2011 mostram queda da elasticidade-emprego do produto nos serviços financeiros, de seguros, imobiliários e profissionais para 0,857%, enquanto que nos serviços pessoais, sociais e comunitários a elasticidade permaneceu basicamente unitária.

Fonte: cálculos do autor a partir de dados do Groningen Growth and Development Center

Os números acima das relações entre emprego e produto no setor de serviços têm implicações econômicas e sociais importantes. Do lado econômico, uma implicação é que a produtividade agregada do trabalho tende a permanecer em patamares relativamente baixos e crescendo pouco. Do lado social, uma implicação é que os salários reais tendem a crescer lentamente.

Para romper essa “armadilha”, será preciso desenhar e implementar políticas públicas e privadas que aumentem a produtividade e a competividade do setor de serviços, notadamente a dos segmentos de consumo.

Nota técnica: cálculos do autor. Dados do Gronigen Growth and Development Center. Todos os coeficientes são estatisticamente significativos a 1%. Classificação setorial conforme ISI Rev. 3.1. Dados monetários em valor constante de 2005. Serviços governamentais e de utilidades públicas foram excluídos da análise. Dados anuais de 1950 a 2011. Produto é o valor adicionado.

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