Economia de Serviços

um espaço para debate

Serviços – o elo fraco da produtividade

Um dos consensos econômicos no Brasil é o de que a nossa produtividade é baixa e a competitividade das empresas deixa a desejar. O que explica esta inquietante situação? Obviamente, as explicações são múltiplas. Este blog defende que uma das mais importantes explicações é a baixa produtividade e competitividade do setor de serviços.

De fato, como temos discutido já há muito neste espaço, as empresas de serviços são, na sua grande maioria, muito pequenas, pouco produtivas, têm pouco acesso a crédito e a tecnologia, seus gerentes e/ou proprietários têm baixa qualificação e os funcionários são pouco treinados. Mesmo que separemos os serviços prestados às famílias dos serviços prestados às empresas, ainda assim encontraremos evidências de indicadores de produtividade preocupantes.

Comparação internacional de preço e qualidade de serviços supridos às empresas, como serviços de transporte e logística, energia elétrica, serviços de intermediação financeira, telecomunicações e serviços profissionais, mostra um quadro alarmante. Para tornar a estória ainda mais alarmante, a oferta e a qualidade dos serviços de agregação de valor e diferenciação de produtos, tais como P&D, design, marcas, softwares avançados, plataformas digitais, distribuição e serviços profissionais de padrão internacional são escassos e caros. Aqui perdemos fácil de 7 a 1 para muitos países. O problema é que esses serviços são determinantes para que se possa ambicionar participar da economia do século XXI como protagonista.

O setor de serviços já responde por 73% do PIB e o consumo intermediário de serviços corresponde a 64% do valor adicionado da manufatura. Na agricultura e na mineração, aquela participação não apenas é alta, mas vem crescendo a taxas superiores às da indústria.

Evidências empíricas apresentadas no blog mostram que serviços prestados às empresas não aparecem por geração espontânea, mas resultam da demanda por novas soluções para a indústria, agricultura, mineração e para o próprio setor de serviços. A contração da  indústria no Brasil ajuda a explicar a minguada oferta de serviços sofisticados. Nos casos da agricultura e da mineração, questões regulatórias, tributárias, aversão a risco, dentre outras, ajudam a explicar a elevada participação de serviços estrangeiros no consumo intermediário daqueles setores.

Evidências empíricas também aqui examinadas mostram que a conta de comércio exterior de serviços é estruturalmente deficitária e é altamente sensível à elevação do PIB e, portanto, é fonte potencial de fragilidade nas contas externas.

A conclusão não poderia ser outra, que não a de que o setor de serviços é o elo mais fraco da economia brasileira. Sem um setor de serviços forte, moderno, sofisticado, competitivo e internacionalizado, será difícil ao país se reposicionar na economia global e crescer de forma sustentada.

Mas o Brasil não é caso singular. O México, por exemplo, padece de enfermidade similar, embora as causas primárias da sua chaga não sejam exatamente as mesmas das nossas.

O que fazer? Os serviços, sobretudo aqueles prestados às empresas, têm que estar no centro das políticas produtivas se de fato quisermos atacar as dificuldades de competitividade do nosso setor produtivo.

Como ponto de partida, será preciso ao país se convencer da importância do setor de serviços, o que hoje ainda não está posto. Em seguida, teremos que atacar as causas mais óbvias da fraqueza do setor. Aqui, incluem-se questões de recursos humanos, de acesso a crédito e a tecnologias, de empreendedorismo, de internacionalização, de comércio exterior, de investimentos, de estrutura de competição e questões tributárias e regulatórias. Foco das políticas em cadeias produtivas, incluindo os serviços, e não apenas em atividades econômicas pontuais, também será muito útil. Aqui, os bancos públicos poderão ter um papel determinante.

Posts relacionados

2 Comments

  1. Este é o diagnóstico. A causa básica , eu entendo que seja a educação deficiente e o empobrecimento da cultura geral. O profissional chega na empresa com dificuldades claras de entendimento e de expressão, além de pouca capacidade de associação de idéias e de proposição de inovação. Enquanto a questão educacional não for prioridade como política de Estado, o máximo que as empresas podem fazer é treinar ações operacionais, quase um adestramento do colaborador. A única revolução que o Brasil e os Brasileiros de fato precisam fazer é a da Educação, todo o resto vem como consequência.

    • Realmente a evolução que o Brasil precisa é na educação e consequentemente as outras coisas serão acrescentadas.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.