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Por que a participação dos serviços no PIB de Alagoas é próxima à de São Paulo?

Como já comentado em posts anteriores, via de regra, os países atualmente desenvolvidos passaram por um processo de transformação estrutural de sua economia. Nesse processo, inicialmente a economia se concentra em atividades agropecuárias e, posteriormente, passa a se industrializar, principalmente com manufatura de baixa complexidade.

Na sequência, a sociedade passa a ser majoritariamente urbana e demandar serviços básicos. Neste momento, costuma haver um forte crescimento na participação do setor terciário no PIB e uma redução na participação do setor primário. Numa próxima etapa, a sociedade, mais urbana e escolarizada, passa a demandar produtos e serviços mais sofisticados. Nesse momento, o setor terciário passa a interagir mais fortemente com a indústria, gerando bens mais complexos e com serviços intensivos em conhecimento “abarcados”. Por conta desse processo, à medida que um país vai se desenvolvendo, em geral, a participação de serviços na economia também cresce.

Espera-se, portanto, que regiões de diferentes níveis de desenvolvimento tenham níveis distintos de participação de serviços no PIB. Se isso é verdade, por quê, então, São Paulo (estado com o segundo maior PIB per capita do país) e Alagoas (terceiro menor PIB per capita) têm níveis similares de participação do setor de serviços em suas economias?  Como é possível ver no mapa 1 abaixo, o setor terciário responde por 75% e 72% das economias de SP e AL, respectivamente.

Esse aparente paradigma tem diversos motivos, mas o principal deles parece ser a natureza heterogênea do setor de serviços. Por conter atividades tão díspares quanto bancos e salões de beleza, a participação do setor de serviços no PIB, por si só, diz pouco sobre o grau de desenvolvimento de um país, região ou estado.

Seguindo nos exemplos já citados, enquanto em Alagoas 39% dos serviços são de atividades essencialmente providas pelo setor público (administração, educação, saúde, pesquisa e desenvolvimento públicas, defesa, seguridade social), esse percentual é de apenas 13% em São Paulo (ver gráfico abaixo). Ademais, em SP, percebe-se uma participação muito mais elevada de serviços voltados para empresas, muitos deles de alta complexidade, como atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares (14%, vs. 6% em AL) e serviços de informação e comunicação (7%, vs. 2% em AL).

Exemplo tão anacrônico como o citado ressalta a importância de se buscar classificar as atividades de serviços em grupos mais homogêneos. Alguns exemplos disso são as classificações da OCDE (serviços comerciais profissionais x tradicionais), por destino (para o consumo final x para empresas), padrão tecnológico (modernos x tradicionais) ou funcionalidade (serviços de custo x serviços de agregação de valor)[1].

Tais classificações são úteis para melhor compreender o setor de serviços e desenhar políticas mais corretamente direcionadas para o segmento. Portanto, mais importante que pensar no tamanho do setor de serviços parece ser refletir sobre sua composição e suas distintas funções na economia.

Mapa 1 – Dados de 2013

Gráfico 1 – Participação das atividades de serviços no PIB do setor, em Alagoas e São Paulo (2013).Servicos por atividadeFonte: IBGE (2016).

[1] Essas classificações são utilizadas no Boletim de Serviços. Para conhecer melhor essas categorizações, ver Nota Técnica do Boletim.

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4 Comments

  1. As atividades de administração pública estão inclusas em serviços? O IBGE costuma oferecer os dados de PIB com essa quarta categoria separada.

    • Olá,

      na classificação do IBGE, as atividades de administração pública estão dentro de serviços. Em geral, ao divulgar o PIB sob a ótica da oferta, o IBGE divide a economia em três grandes setores: agropecuária, indústria e serviços. Como exemplo, veja a tabela III.2 (pg. 20), na última publicação do PIB trimestral: ftp://ftp.ibge.gov.br/Contas_Nacionais/Contas_Nacionais_Trimestrais/Fasciculo_Indicadores_IBGE/pib-vol-val_201504caderno.pdf . Lá, é possível ver que a atividade “Adm., saúde e educação públicas e seguridade social” faz parte do setor de serviços.

      Abraço e obrigado pelo comentário e pela visita!

      • Olá, Rafael!
        Não consegui abrir o link. Mas sabes me dizer como ficou essa divisão serv, ind e agrop no PIB de 2015? Obrigado!
        Um abraço!

        • Olá, Daniel,

          o ftp do IBGE às vezes fica inacessível, mesmo, por algum motivo que eu não sei o qual. Bom, segundo o próprio, a divisão do valor adicionado a preços básicos ficou em 5% da agropecuária, 23% da indústria e 72% de serviços.

          Abraço!

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