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Indústrias intensivas em serviços

Em posts anteriores, ressaltamos a crescente importância de serviços nas cadeias de valor de outros setores. Esse fenômeno é observado nos dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE.

Em 2012, na indústria, a razão consumo intermediário de serviços/valor bruto da produção (CIS/VBP) estava em 20%. Isso significa que, para produzir R$ 100, a indústria brasileira consome R$ 20 de serviços no seu processo produtivo. Análise complementar mostra que a relação consumo intermediário de serviços/valor adicionado (CIS/VA) na indústria é de 69%.[1]

Esses números sugerem que indústria e serviços estão fortemente associados. Por conta de fenômenos como a descentralização da produção, especialização de empresas em nichos e terceirização, é provável que essa relação se torne ainda mais forte no futuro.

O gráfico abaixo mostra que, apesar de presente em todos os segmentos, o consumo intermediário de serviços é mais forte em algumas atividades. Olhando tanto o CIS/VBP (barras azuis no gráfico) quanto o CIS/VA (barras verdes), percebe-se que os três segmentos mais intensivos em serviços são indústria extrativa ou diretamente ligados a ela: extração de petróleo e gás natural; fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis; e extração de gás mineral.

Em artigo no prelo, Arbache e Moreira apresentam evidências de que o maior consumo de serviços, principalmente os chamados “serviços de valor”, está associado a maiores níveis de produtividade na indústria. Esse achado sugere que um aumento da eficiência e da sofisticação dos serviços voltados para a indústria manufatureira pode ter efeitos significativos no incremento de sua produtividade e competitividade.

Consumo intermediário de serviços como proporção do valor bruto da produção (azul) e do valor adicionado (verde), por segmento da indústria – 2012.

Fonte: elaboração própria a partir de PIA/IBGE (2014).

[1] Esse indicador pode ser maior que 100%, já que o valor adicionado é a diferença entre o valor bruto da produção e o consumo intermediário.

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2 Comments

  1. Muito bom o post!
    Considerando a ligação dos serviços entre serviços de outros países e a característica de complementaridade que eles possuem nos diversos mercados internacionais, será que resultados, como por exemplo, fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (10% do CIS/VBP, no gráfico) não poderia afetar outras economias, direta ou indiretamente? Eu acredito que talvez sim, para a América do Sul ou na análise de Países emergentes.

    • Erica, de fato, os serviços estão cada vez mais comercializáveis entre fronteiras, e o segmento citado parece bastante suscetível a ter uma maior presença de serviços (nacionais ou estrangeiros) na sua cadeia produtiva. Por exemplo, o Uruguai, por sua proximidade, presença no Mercosul e força no setor de TI, parece ser especialmente apto a complementar essa indústria (e competir com os prestadores de serviços locais).

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

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