Economia de Serviços

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Tag: inflação

Boletim de Serviços – junho de 2017

O Boletim de Serviços de junho de 2017 está no ar, clique aqui para acessá-lo. Alguns dos destaques:

  • O volume do setor de serviços registrou leve queda de 0,1% em março na comparação anual, com destaque negativo para os serviços de valor (-5%).
  • A inflação de serviços acumulada em 12 meses registrou queda, chegando a 4,9% em abril.
  • Após um mês negativo, o setor de serviços apresentou o melhor saldo em dois anos, tendo criado 32,2 mil novas vagas.
  • O déficit na balança de serviços seguiu em US$ 2,5 bi. no mês de abril.
  • O IED de serviços apresentou expressivo crescimento de 186% com relação a 2016, tendo chegado a US$ 5,8 bilhões em abril.

Para acessar a metodologia e as séries históricas em excel, acesse: http://economiadeservicos.com/boletim.

Boletim de Serviços – Maio de 2017

O Boletim de Serviços de maio de 2017 está no ar, clique aqui para acessá-lo. Alguns dos destaques:

  • O volume do setor de serviços registrou contração de 2% em fevereiro na comparação anual, com destaque negativo para os serviços de valor (-13,5%).
  • A inflação de serviços acumulada em 12 meses registrou leve aumento, chegando a de 5,5% em março.
  • Após um mês positivo, o setor de serviços voltou a apresentar saldo de empregos negativo, tendo destruído 58 mil vagas em março.
  • As exportações de serviços registraram um aumento de 30% na comparação anual.
  • Comparado a março de 2016, o IED apresentou expressivo aumento de 105%.

Para acessar a metodologia e as séries históricas em excel, acesse: http://economiadeservicos.com/boletim.

Boletim de Serviços – Fevereiro de 2017

O Boletim de Serviços de fevereiro de 2017 está disponível, clique aqui para acessá-lo. Alguns dos destaques:

  • Em novembro, a receita nominal do setor de serviços registrou variação positiva de 8,29% no acúmulo anual, enquanto o volume de atividades contraiu 7,64%.
  • A inflação acumulada em 12 meses do setor de serviços foi de 7,03% em 2016.
  • O setor de serviços fechou mais de um milhão de postos de trabalho em 2016, contribuindo com 74% do total de vagas fechadas no país.
  • O déficit da balança de serviços foi de US$ 30 bilhões no acumulado no ano
  • O IDE em serviços contabilizou melhora de 10% e comparação com dezembro de 2015.

Para acessar a metodologia e as séries históricas em excel, acesse: http://economiadeservicos.com/boletim.

Boletim de Serviços – Janeiro de 2017

O Boletim de Serviços de janeiro de 2017 está disponível, clique aqui para acessá-lo. Alguns dos destaques:

  • A receita nominal do setor de serviços registrou contração de 3,2% em outubro, enquanto o volume de atividades contraiu 7,6%, na comparação anual
  • A inflação acumulada em 12 meses foi de 7,03% em novembro
  • Em novembro foram fechados 38 mil postos de trabalho no setor de serviços
  • O déficit da balança de serviços foi de US$ 2,34 bilhões em novembro
  • O IDE em serviços contabilizou contração de 17,7% na comparação anual

Para acessar a metodologia e as séries históricas em excel, acesse: http://economiadeservicos.com/boletim.

Boletim de Serviços – Outubro de 2016

O Boletim de Serviços de outubro de 2016 está no ar, clique aqui para acessá-lo. Alguns dos destaques:

  • A receita nominal do setor de serviços registrou recuperação de 0,23% em agosto, enquanto o volume de atividades contraiu 4,47%, na comparação anual
  • A inflação acumulada em 12 meses apresentou declínio de 7,67% em julho para 6,93% em agosto
  • Foram fechadas 27.646 vagas no setor de serviços em agosto
  • O déficit da balança de serviços foi de US$ 2,2 bilhões em agosto
  • O IDE em serviços expandiu 121% na comparação anual

Para acessar a metodologia e as séries históricas em excel, acesse: http://economiadeservicos.com/boletim.

volume

Um (preocupante) panorama do setor de serviços em 2015

Assim como o restante da economia, o setor de serviços foi fortemente afetado pelo momento de turbulência pelo qual o país passou e ainda passa. Em 2015, o setor apresentou contração de 2,7%, retração superada apenas pela indústria, que teve crescimento negativo de 6,2% (ver Gráfico 1). Esse é o pior resultado para o setor de serviços em toda série histórica, iniciada em 1996.

Gráfico 1 – Variação anual do PIB pelo lado da oferta

PIB1

Fonte: Contas Nacionais Trimestrais (IBGE, 2016).

O que mais chama atenção nesse resultado é que ele é fruto de uma contração generalizada do setor. Como mostrado no gráfico 2, apenas dois segmentos de serviços apresentaram crescimento positivo no ano passado: intermediação financeira e seguros e atividades imobiliárias. Chama especial atenção o tamanho da queda do comércio e da atividade de transporte, armazenagem e correio, ambas atividades com enorme importância para cadeias produtivas e, portanto, para o restante da economia.

Gráfico 2 – Variação anual dos segmentos de serviços

PIB2

Fonte: Contas Nacionais Trimestrais (IBGE, 2016).

Os resultados negativos também tiveram reflexos no mercado de trabalho. Nos últimos anos, os serviços sempre contribuíam com um saldo líquido positivo de empregos. Em 2014, o setor foi o único a apresentar saldo positivo. Em 2015, porém, as atividades de serviços foram as que mais demitiram, terminando o ano com saldo líquido de -1,1 milhão de demissões (ver Gráfico 3).

Gráfico 3 – Saldo líquido de empregos, por setor – 2014 e 2015

CAGED

Fonte: CAGED (Ministério do Trabalho, 2016).

Conforme destacado no último Boletim de Serviços, serviços voltados para o consumidor final e para empresas, seja pela classificação de valor ou de custo, demitiram mais do que contrataram em 2015, o que confirma que a situação do emprego piorou  de maneira generalizada no setor (ver Gráfico 4).

Gráfico 4 – Saldo líquido de empregos, por tipo de serviço – 2014 e 2015

CAGED2

Fonte: Machado, Arbache e Moreira, 2016 (Boletim de Serviços).

Nem mesmo o cenário mais favorável para o comércio exterior, com a forte desvalorização do real e o esfriamento da demanda interna, foi suficiente para reverter o déficit na balança comercial de serviços. Enquanto a balança de bens fechou 2015 com um superávit de US$ 17,7 bilhões, a balança de serviços apresentou déficit de US$ 36,9 bi. Assim como nos outros indicadores, o resultado atingiu todas as categorias de serviços (ver Gráfico 5).

Gráfico 5 – Balança comercial de bens e serviços, por bens e tipos de serviços, em US$ milhões (FOB) – 2014 e 2015

BCBS

Fonte: Machado, Arbache e Moreira, 2016 (Boletim de Serviços).

Por fim, vemos que a inflação de serviços foi consideravelmente superior ao índice geral, quando utilizada a metodologia de classificação do Boletim de Serviços[1]. Os serviços tradicionais, puxados principalmente pelas tarifas de transporte público e de luz, registraram inflação de 14,1% em 2015. Destaca-se a deflação dos serviços modernos, que registraram deflação de 3,8%.

Gráfico 6 – Inflação de bens e serviços (IPCA) – 2014 e 2015

IPCA

Fonte: Machado, Arbache e Moreira, 2016 (Boletim de Serviços).

O quadro geral do setor de serviços foi, portanto, bastante negativo em 2015. O setor, que era uma espécie de “âncora” do emprego, passou a demitir mais do que contratar. Ademais, os serviços responderam por parte importante do aumento de preços. Por fim, o tamanho e a constância do déficit da balança de serviços reforça a percepção da baixa competitividade internacional dos nossos serviços.

Tendo em vista o tamanho do setor de serviços e sua influência sobre indicadores chave da economia, parece-nos razoável sugerir que o setor de serviços deveria ser alçado ao centro do debate sobre a recuperação econômica e aumento da competitividade.

 

[1] O índice de inflação de serviços calculado pelo Banco Central só leva em conta consertos e manutenção, pintura de veículo, serviços de saúde, serviços pessoais e cursos. A metodologia de Machado, Arbache e Moreira é mais abrangente, incluindo itens como alimentação fora do domicílio, serviços de transporte, comunicação etc.

Boletim de Serviços – Março de 2016

O Boletim de Serviços de março de 2016 está no ar, clique aqui para acessá-lo. Alguns dos destaques:

  • O índice de receita nominal do setor de serviços teve redução de 0,36% na comparação anual. Já o índice de volume teve variação negativa superior a 5% na comparação anual
  • A tendência de eliminação de vagas no setor de serviços continua em 2016: em janeiro mais de 88,6 mil postos foram encerrados
  • A inflação anual de serviços ficou abaixo dos 13% em janeiro
  • A balança comercial de serviços registrou um déficit 50% menor do que o registrado no mesmo mês do ano anterior.

Volume

Para maiores detalhes, acesse o último número do Boletim de Serviços e consulte as séries históricas no endereço http://economiadeservicos.com/boletim/.

O Problema da Inflação de Serviços

Um dos maiores desafios atuais do Brasil é a inflação. Após anos em que ficou relativamente contida para os nossos próprios padrões, a inflação ganhou força no último ano e o IPCA fechou com nada menos que 10,67%, o maior patamar em 13 anos. A aceleração recente da inflação está associada a fatores diversos, incluindo a alta da taxa de câmbio e a recomposição de preços administrados.

Mas um olhar mais cuidadoso para os índices de preços dá motivos para mais preocupação. Isto porque a inflação de serviços tem aumentado sistematicamente mais que a inflação geral nos últimos 13 anos, como mostra a figura abaixo. Em 2015, a inflação dos componentes de serviços no IPCA subiu 30% a mais que o IPCA geral.

O problema é que os serviços respondem por 64% da cesta de consumo das famílias e são insumos fundamentais de produção, com 17% do valor bruto da produção da indústria e por nada menos que 62% do valor adicionado do setor. Logo, a inflação de serviços tem efeitos sistêmicos e contamina toda a economia.

Por que a inflação de serviços é tão elevada? Indexação e situações pontuais, como o expressivo aumento das tarifas de energia em 2015, ajudam a explicar. Mas o que explica mesmo a tendência recorrente de taxa de inflação de serviços mais elevada são a baixíssima produtividade e a baixa competição em muitos dos seus segmentos.

Como temos discutido neste blog, a produtividade do trabalho do setor de serviços é muito baixa e está estagnada. De fato, a produtividade corresponde a 66% da produtividade da manufatura e a apenas 11% da produtividade da mineração. Comparação internacional mostra que um trabalhador brasileiro de serviços produz apenas 19% do que o seu correspondente norte-americano produz. A Baumol cost disease ajuda a explicar o fenômeno.

Já a elevada concentração inibe a competição, a inovação e a eficiência. Parte importante da concentração no país é explicada por marcos regulatórios que dificultam a entrada de novos competidores e até mesmo a competição interna. Serviços financeiros, serviços de telecomunicações, transporte aéreo de passageiros, transporte de cargas e encomendas expressas, que são insumos para a produção e para os negócios, estão dentre os segmentos mais concentrados e regulados.

Sem que a produtividade e a competição aumentem, dificilmente teremos taxas mais modestas de inflação de serviços no longo prazo, o que seguirá tendo impactos diretos e indiretos negativos no bem-estar das famílias, no ambiente de negócios e na competitividade da economia brasileira.

O desenvolvimento de uma política para os serviços que remova os estraves à produtividade e à competição e que incentive o investimento e a modernização do setor seria uma importante luz no fim do túnel.

Figura: Taxa de inflação – número índice 2000=100

Inflacao de serviços

Fonte: IBGE.

Índices de serviços e a necessidade de novos dados para o setor

Em divulgação recente, o IBGE passou a publicar índices de volume de produção de serviços. Até então, apenas a série de receita nominal era divulgada mensalmente. Esse novo índice é obtido deflacionando-se as séries de índice de receita nominal. Conforme apontado pela nota metodológica do Instituto, para cada grupo de atividade e para cada estado, foram utilizados índices de preços específicos construídos a partir do IPCA. A nota metodológica esclarece, ainda, que para as atividades não abrangidas pelo índice, utilizou-se o IPCA serviços.

Com base nessa metodologia, cabe uma advertência sobre o uso do IPCA para deflacionamento de dados de serviços: o índice em si não captura adequadamente a inflação observada para os serviços consumidos pelas empresas, uma vez que é fundamentalmente construído para avaliar o nível de preços para o consumidor final. Assim, é provável que os preços dos serviços utilizados como intermediários na produção tenham um comportamento distinto daqueles de consumo final, seja pela existência de contratos, capacidade de negociação das empresas ou por outras particularidades dos serviços empresariais.

Desse modo, o IPCA não seria o melhor índice para deflacionamento de categorias que abrangem em grande medida serviços consumidos pelas empresas como, por exemplo, serviços técnicos-profissionais. É claro que nesse ponto cabe destacar que, no momento, inexistem índices de preços que captem a evolução dos preços dos serviços usados como insumo na produção, o que justifica o uso do IPCA.

Não obstante as fragilidades, o novo indicador é fonte de informações relevante para se entender a trajetória do setor, uma vez que a aceleração do nível de preços dos serviços pode afetar as conclusões sobre o seu desempenho econômico. Desse modo, os índices de volume contribuiriam para descrever o comportamento real do setor nos últimos anos.

Nesse sentido, os gráficos abaixo mostram que a inflação, de fato, superestima o desempenho do setor de serviços, uma vez que o índice de receita nominal se distancia do de volume devido à aceleração do IPCA. Complementarmente, é natural que se observe que a receita do setor apresente variações positivas (ainda que cada vez menores), enquanto em termos reais o setor contrai (o que é indicado pela variação negativa do índice de volume acumulada em 12 meses).

Por fim, é importante notar que a melhoria dos dados sobre o setor de serviços tem o potencial de enriquecer o debate. Tal como exposto, é conveniente que se avalie a inflação pertinente aos serviços-insumos, uma vez que esta afeta diretamente a competitividade e a capacidade produtiva da economia. Sob essa ótica, um índice de preços de serviços intermediários traria melhorias importantes para o tratamento de estatísticas sobre o setor.

indice volume

Fonte: PMS/IBGE. Elaboração própria.