O comércio eletrônico global vem apresentando resultados impressionantes nos últimos anos. Em 2015, o setor movimentou quase US$ 1 trilhão, com previsão de expansão para US$ 1,5 trilhão até 2018. O Brasil é um dos maiores mercados globais, o qual deverá ter faturamento de R$ 56,8 bilhões em 2016, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Apesar de a maior parte das transações ainda ser feita a partir de desktops, já se sabe que os smartphones serão os grandes motores do crescimento do e-commerce. Hoje, metade das buscas por produtos ocorre pelo celular, mas a compra ainda tende a ocorrer por outros dispositivos.

mobile e-commerce

                                             Fonte: Criteo

Essa diferença entre tráfego mobile e vendas constitui uma janela de oportunidade para o comércio e para a conversão de usuários e clicks em reais consumidores. Um dos desafios a serem ultrapassados relaciona-se à melhoria da experiência de compra, pelo fornecimento de um site no formato adequado a uma navegação por celular. Aproximadamente 30% dos cem maiores varejistas globais ainda mostram ao usuário de celular uma versão de seu site destinada a uso em desktop, o que torna a navegação difícil e lenta. Varejistas no Brasil e no mundo perdem grandes oportunidades de negócios por desvalorizarem a experiência mobile do consumidor como forma de alavancar vendas online.

O grande gargalo da entrega

Os grandes players mundiais de logística para o comércio eletrônico já mostram sinais de incapacidade em atender à demanda gerada pelo e-commerce. Atualmente, tem-se observado uma elevação no preço desses serviços, e constantes atrasados nas entregas. Questões como essa levaram algumas redes varejistas virtuais a expandir seus planos na direção dos canais de transporte e logística. A Amazon, por exemplo, já possui frota própria de caminhões nos EUA, planeja aquisição de empresas europeias para expandir sua rede de entrega, e lançou recentemente seu programa Prime Air para realizar entregas com drones em menos de meia hora, ao custo de um dólar por serviço prestado. Apesar de ainda haver muita especulação em relação aos planos da empresa, a Amazon parece estar traçando forte estratégia de criação de um serviço global de entrega.

As empresas que não têm recursos suficientes para entrar nesse mercado encontraram, todavia, uma alternativa interessante: os chamados Click & Collect por meio do qual os clientes buscam suas compras em lojas físicas ou em pontos de coleta determinados. A parcela de compras online usando Click & Collect ainda é pequena, mas avançou bastante em 2015 em diversos mercados, inclusive no brasileiro.

A etapa de entrega ainda constitui um grande custo na estrutura operacional das empresas de e-commerce no Brasil. Entre as estratégias adotadas para reduzir o problema estão o estabelecimento de novos centros de distribuição fora da região sudeste e a redução no oferecimento de frete grátis, prática até pouco tempo comum entre as lojas virtuais. Há poucos provedores especializados em entregas no comércio eletrônico, o que repercute em uma série de frustrações pelo lado dos consumidores e prejuízos para as empresas. Dados do Reclame aqui revelam que a parte considerável das queixas sobre lojas de e-commerce refere-se à entrega. Os Correios figuram na 12ª posição na lista das empresas com maiores índices de reclamação naquele site. Isso é um indicador claro de gargalo para o crescimento do e-commerce no Brasil.

Somam-se a essas dificuldades a recente mudança nas regras de cobrança do ICMS, que entrou em vigor no início de 2016 e exige a repartição dos impostos estaduais entre os locais de origem e destino do bem. Isso obriga as empresas que atuam online a se cadastrar nas 27 secretarias estaduais da fazenda, caso queiram operar em todo território nacional, além de exigir a emissão de duas guias – para pagar impostos no estado de origem e de destino – em toda transação interestadual. Entidades representativas do setor privado apontam que a mudança ampliou a burocracia e elevou custos excessivamente, em particular para as micro e pequenas empresas. Na última semana, o STF concedeu liminar que isenta as empresas optantes pelo Simples Nacional dessas novas regras de cobrança.

Apesar do cenário econômico adverso previsto para os próximos anos, o comércio eletrônico ainda consegue vislumbrar taxas de crescimento expressivas. É preciso garantir que o Estado não criará mais obstáculos para uma atividade de tanto potencial, para que não nos distanciemos, mais uma vez, da realidade global do mercado, que caminha na direção da redução, e não do aumento de burocracias no setor.

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