Este blog tem destacado que o setor de serviços do Brasil é pouco produtivo, caro e tecnologicamente defasado. Por detrás desse perfil está, dentre outros, a modesta competição em muitos de seus segmentos, que inibe a modernização, a inovação e o aumento da produtividade.

De fato, como mostram indicadores internacionais, segmentos tão variados como telecomunicações, aviação civil, bancos comerciais, construção civil, serviços legais, dentre outros segmentos e atividades profissionais, são altamente regulados e protegidos. Essa proteção não é neutra e, como consequência, mesmo provedores de serviços pouco eficientes seguem no mercado provocando impactos negativos nos consumidores finais, empresas e na competitividade sistêmica.

Curiosamente, porém, as estatísticas de comércio exterior não corroboram a visão de que o mercado de serviços seja fechado. Afinal, o Brasil é um dos maiores importadores de serviços do mundo quando examinamos indicadores como, por exemplo, importação/PIB. Não por acaso, os serviços são a principal fonte de constrangimento às contas externas – em 2014, o déficit da conta de serviços foi de nada menos que US$ 49 bilhões!

Há que se considerar, porém, que, como indica o gráfico abaixo com o saldo do comércio de serviços, os serviços importados são muito concentrados em aluguel de máquinas e equipamentos e em viagens internacionais, que respondem por 84% daquele déficit.

Como o setor de serviços é, e será ainda mais determinante para a geração de riquezas e de bons empregos, participação em cadeias globais de valor e para a competitividade das nações, ter um setor de serviços doméstico moderno e competitivo está se tornando requisito fundamental para a promoção do crescimento econômico e para redução do hiato de renda que separa países emergentes e avançados.

Desta forma, o desafio das políticas públicas vai muito além de simplesmente abrir o mercado. O grande desafio é, isto sim, encontrar o equilíbrio entre redução da proteção, promoção da competição e atração de investimentos em serviços, em especial naqueles segmentos mais críticos para o crescimento econômico sustentado.

Políticas de estímulo ao aumento da competição nos segmentos mais relevantes para as cadeias de produção de terceiros setores, como são os casos dos serviços de intermediação financeira, tecnologias de informação e comunicação e serviços comerciais, combinada com políticas de atração de empresas estrangeiras de serviços é exemplo de uma dobradinha que pode ajudar a virar o jogo.

 

post 1 de setembro

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