Ao analisarmos a produtividade – seja ela do trabalho, do capital ou a produtividade total dos fatores – do Brasil, três fatores se destacam:

  1.  o nível de produtividade é relativamente baixo, ficando atrás de vários países emergentes;
  2.  esse nível pouco tem mudado nas últimas décadas, o que tem feito que, ao longo dos anos, fiquemos ainda mais atrás de outros países;
  3.  a produtividade brasileira é bastante desigual entre setores.

Os dois primeiros pontos podem ser observados no gráfico abaixo, no qual comparamos a produtividade do trabalho brasileira com a de outros países. Nele, vê-se claramente que a produtividade brasileira é mais baixa do que a de países como Argentina, México e Chile, e provavelmente será ultrapassada em breve por Peru e China.

Outro fato preocupante é ver que Coreia do Sul e Chile tinham praticamente a mesma produtividade que o Brasil em 1985 e hoje têm entre 2 e 2,5 vezes o nível brasileiro. No período de 30 anos, nossa produtividade cresceu cerca de 0,7% ao ano, muito pouco para um país de renda média.

Produtividade do trabalho em US$ de 2014 PPP por trabalhador em países selecionados – 1985-2015

Fonte: Elaboração própria a partir da Total Economy Database (OCDE, 2015).

Fonte: Elaboração própria a partir da Total Economy Database (The Conference Board, 2015).

Os motivos para essa baixa e estanque produtividade são vários, desde limitações sistêmicas – infraestrutura falha, alto custo da mão de obra, burocracia, etc. – e limitações internas às empresas (o chamado “chão de fábrica”) – empregados pouco qualificados, métodos de gestão atrasados, pouco investimento em P&D, alta rotatividade do trabalho, etc.

Porém, um fator que não pode ser ignorado é o terceiro ponto do início do texto. Como é possível observar na tabela abaixo, a produtividade brasileira é bastante heterogênea entre setores, e serviços têm produtividade menor que a de outros setores como a indústria manufatureira.

O problema é que os serviços respondem por quase 60% da mão de obra pelas Contas Nacionais e são insumo fundamental dos demais setores (mais da metade do consumo intermediário da indústria). Logo, não será possível aumentar a produtividade agregada da economia sem tornar nossos serviços mais produtivos e competitivos.

Produtividade do trabalho e participação na mão de obra por setor – 2011

Setor* Produtividade do trabalho (VAB/PO) Participação na mão de obra
Agropecuária 13,254 17.0%
Indústria extrativa 565,153 0.3%
Indústria manufatureira 45,183 13.3%
Energia elétrica, gás natural, água e outras utilidades 136,708 0.9%
Construção civil 28,768 9.6%
Serviços 36,777 58.9%

*Não inclui o setor público.      Fonte: Elaboração própria a partir do Sistema de Contas Nacionais (IBGE, 2015).

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